No programa Espaço Aberto desta terça-feira (10), recebemos o Delegado de Polícia Daniel Silvestri Goulart, da Comarca de São João — a qual São Jorge D’Oeste pertence — para falar sobre um tema que tem preocupado cada vez mais a população: os golpes virtuais.
Durante a entrevista, o delegado destacou que os criminosos têm se tornado cada vez mais estratégicos e utilizam informações pessoais das vítimas para aplicar fraudes, muitas vezes causando prejuízos financeiros significativos.
Golpe do falso advogado
Um dos golpes mais recorrentes é o do falso advogado. Segundo o delegado, os estelionatários entram em contato com a vítima se passando por advogado ou representante de escritório jurídico. Geralmente, informam que a pessoa tem um valor a receber em um processo judicial, mas que é necessário pagar uma “taxa”, “custas processuais” ou “liberação de alvará” para que o dinheiro seja liberado.
Os golpistas costumam ter acesso a dados pessoais da vítima — como nome completo, CPF e até informações sobre processos — obtidos por meio de vazamentos de dados ou pesquisas na internet. Com isso, a abordagem parece convincente, levando muitas pessoas a realizar transferências via PIX.
Golpe da venda de carro
Outro golpe comum na região é o da venda de veículo, que envolve um falso comprador e um falso vendedor.
Neste caso, o golpista copia o anúncio de um carro verdadeiro e publica em outro site por um valor mais baixo. Ele intermedeia a negociação entre o verdadeiro proprietário e a vítima interessada na compra, mas orienta que o pagamento seja feito diretamente para ele. Quando a vítima realiza a transferência, percebe que caiu em um golpe, já que o verdadeiro dono do veículo não recebeu nenhum valor.
Há ainda situações em que o criminoso se passa por comprador, envia comprovantes falsos de pagamento e tenta convencer o vendedor a entregar o veículo antes da confirmação bancária.
Golpe do IPVA
O chamado golpe do IPVA também tem feito vítimas. De forma semelhante ao golpe aplicado contra MEIs, os criminosos entram em contato via WhatsApp ou e-mail informando sobre supostas pendências no pagamento do IPVA ou irregularidades na documentação do veículo.
A mensagem geralmente contém tom de urgência, alertando para multas, bloqueio do documento ou apreensão do veículo caso o pagamento não seja feito imediatamente. A vítima, acreditando na veracidade da informação, acaba realizando transferências que podem variar de pequenos valores até quantias mais altas.
Importância de registrar o Boletim de Ocorrência
O delegado reforçou a importância de registrar o Boletim de Ocorrência (BO) em qualquer situação suspeita ou quando o golpe já foi consumado.
Segundo ele, o registro é fundamental porque permite à polícia reunir informações, identificar padrões de atuação dos criminosos e cruzar dados com outras ocorrências semelhantes. Mesmo quando o valor é baixo, o boletim pode contribuir para investigações maiores e ajudar na identificação de quadrilhas especializadas nesse tipo de crime.
Além disso, o BO pode ser essencial para que a vítima tente bloquear valores transferidos, acionar o banco e até apresentar o documento em eventuais processos judiciais.
Orientações para evitar cair em golpes
Ao final da entrevista, o delegado deixou algumas orientações importantes para a população:
•Desconfie de contatos que envolvam urgência e cobrança imediata de valores;
•Nunca realize pagamentos sem confirmar diretamente com a instituição ou profissional envolvido;
•Em negociações de veículos, evite intermediários e confirme todas as informações pessoalmente;
•Não clique em links suspeitos enviados por e-mail ou WhatsApp;
•Consulte sempre sites oficiais para emissão de guias de pagamento, como IPVA;
•Em caso de dúvida, procure a Polícia Civil antes de realizar qualquer transferência.
A orientação principal é clara: na dúvida, pare, verifique e não transfira dinheiro. A prevenção ainda é a melhor forma de evitar prejuízos.

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